2 de fev. de 2011

um instante


tudo aconteceu num sábado, nublado e com chuva, aqueles dias cinzas que parecem não ter fim. um só dia, mas para ela foi uma volta completa ao redor do sol. alice acordou tarde, envolta numa preguiça sem fim, pois, afinal, a chuva que batia no telhado e o dia nublado conspiravam a seu favor. pela janela entreaberta podiam-se ver orquídeas, lindas, muitas, vivas. foi durante esse minucioso olhar pela janela, através da cortina e além do jardim que alice percebeu o jovem parado, a roupa molhada e os cabelos desalinhados sobre o rosto sereno. um fato inusitado, levando em conta que nesse momento o céu parecia desabar sobre a cidade.


numa fração de segundo, um instante menor do que um suspiro, batidas na porta da frente. o som pareceu distante, perdido numa imensidão de espaço, num sábado pela manhã. o instinto pressente aquilo que não se pode explicar. por um segundo, alice teve a certeza de que atrás daquela porta estava quem ela sempre esperou.


de repente, o mesmo rosto sereno, os cabelos desalinhados e a roupa ainda mais enxarcada. ele aninhou-se entre seus braços, como a pedir proteção. beijou seu rosto e suas mãos, acariciou seu cabelo, abraçou alice forte e ficou quieto, roubando dela o calor que emanava do corpo desconhecido.


o amor brota por todos os poros. naquele dia a felicidade fez suas vítimas. naquele sábado nublado e com chuva, alice foi infinitamente amada. um dia sem fim, como se estivessem dando uma volta completa ao redor do sol.


comentários sobre: acreditem ou não, este "ameaço" de conto foi escrito lá pelos meus 12, 13 anos (ok, talvez 14, não lembro). pra se ter uma ideia, ele está numa folha amarelada, datilografado (os mais novos não devem saber do que se trata) numa olivetti lettera que - imagino - nem seja mais fabricada. a tal folha estava perdida em algum canto dos meus guardados e foi uma alegria reencontrá-la. lembro de ter escrito quando - inspirada por amigos mais velhos, meus ídolos juvenis - tinha pretenções de ser escritora. o mais incrível é que muito anos depois, em 2007, um trabalho de faculdade exigia que cada aluno escrevesse um roteiro para cinema. instintivamente, reescrevi este conto. com algumas alterações e um conflito, porém, roteiro muito semelhante. o resultado foi a gravação de um curta metragem chamado "abandono". coisa louca, né?

obs. todas as imagens que ilustram este post são do talentoso fotógrafo charles guerra.
bonito, saudade imensa desse teu olhar!

31 de jan. de 2011

um presente de (pra) dinda

minha dinda e minha afilhada, que é dinda do meu filho. coisas de uma família quase normal.


eu queria que o mundo inteiro conhecesse a minha dinda. é clichê, mas assumo os riscos em afirmar: a minha é a melhor do mundo. não tem outra igual a ela. autêntica, sincera, divertida, inteligente, conselheira, compreensiva, amorosa, justa, prática como eu.

a lembrança mais forte que eu tenho dela vem de uma fotografia antiga, onde ela aparece num modelão anos 70, meio hippie, bossa nova e rock n' roll. cabelão, óculos escuros, um lenço na cabeça, calça boca de sino e muita, muita atitude (aliás, dinda, onde anda essa foto?). minha dinda foi menina "di porto", enquanto suas outras tantas irmãs (inclusive minha mãe) foram nascidas e criadas na santa maria da boca do monte - daí se explica toda a postura de contestação da jovem moça naqueles anos difíceis.

minha dinda é caçula. daí se deve a facilidade de comunicação que ela tem com gente da minha geração. minha amada dinda é pedagoga. o que significa ter uma didática incrível para lidar com pessoas como eu, essas que devezenquando têm chiliques e agem como uma criança mimada. minha graciosa dinda é linda de viver. e, apesar dos golpes da vida, sempre manteve uma gargalhada contagiante e cultiva com propriedade um humor ácido e inteligente. minha dinda sempre me viu como eu realmente sou. conhece e aponta sem medo todos os meus defeitos. nunca colocou panos quentes nos meus desatinos, porque ela administra bem algumas das mais importantes funções das madrinhas: cuidar e ensinar.

hoje é aniversário dela. e eu queria que a minha dinda vivesse 100 anos, porque sei o tanto que ela me faz falta só por morar ali em porto alegre. e mais do que isso, eu queria saber transmitir a ela o tanto de amor que tenho no meu coração, o tanto de reconhecimento por tudo o que já me concedeu na vida. queria saber agradecer pelo presente que me deu, quando me colocou a filha caçula - jéssica - nos braços para que eu a batizasse e tentasse, ao menos um pouquinho, ser uma dinda tão especial quanto a minha é pra mim.
minha dinda sapeca! eu te amo.

complicadas e perfeitinhas querem liberdade!

uma constatação de ordem prática do universo feminino: mulheres não gostam de homem grudento. ok. não descobri a américa com essa. mas vale registrar o recado. nós, mulheres, até gostamos de uma sensaçãozinha de insegurança. nada exagerado, apenas o suficiente pra dar aquela dúvida...

mas alguns caras parecem não entender isso e fazem questão de se fazer notar. isso cansa, sabe? a gente não gosta... não precisa cobrar telefonema. não precisa cobrar "resultados" das suas investidas. tampouco precisa cobrar atenção. é um pouco complicado, mas vocês precisam aprender a nos compreender.

e aquela máxima de "mulheres dizem não querendo dizer sim" ainda vale. apesar que eu digo não quando o significado é não mesmo. mas, às vezes, digo sim querendo dizer talvez... não nos perguntem porque agimos assim. somos mulheres, deve ser questão hormonal, cultural ou puro charme. não sei. apenas cumpram seu papel de cortejar e fazer nossas vontadezinhas.

24 de jan. de 2011

aniversário de formatura


no dia 23 de janeiro de 2011, completei dois anos de formada. confesso que a data passou em branco, não lembrei, tamanha é minha ocupação nesses últimos dias. mas uma colega querida, a carlinha londero, lembrou pelo facebook.

dois anos e muitas realizações. cada dia tô mais apaixonada pela minha profissão. durante esse tempo, não faltou trabalho, não faltaram conquistas.

sinto falta do convívio da faculdade, dos colegas, dos amigos. isso é o que mais dói. cada um tomou seu rumo, a gente se fala pouco. mas cada um tem seu lugar especial na minha vida.

na foto, eu ao pé da escada, esperando pelo marcelo, meu amigo e companheiro de todos os momentos na faculdade e na vida. o meu abraço foi o primeiro que ele ganhou depois de colar grau. isso não tem tempo que apague.

20 de jan. de 2011

despedida

foto do matheus, que tinha um talento absurdo pra fotografar
(02/11/1982 - 20/01/2011)
.
dois dias depois do meu único irmão ter voltado para portugal, onde mora e vai continuar morando pelos próximos dois anos, recebo a triste notícia da morte de um grande amigo, irmão de uma amiga do coração.

matheus siluk, negão, tenha certeza que teu sorriso nunca vai sair das nossas memórias e do nosso coração. ju, amiga que eu amo tanto, força e serenidade para aceitar coisas que não podemos mudar. estou contigo.

"Morrer jovem é como interromper uma música. É como cortar um filme ao meio, rasgar as páginas de um livro pra não se saber o final. É roubar de cena um ator em seu momento mais fantástico, em seu grande ato, sua cena mais brilhante. Porque morrer jovem é injusto. Injusto com as leis da natureza. Injusto com os que partem. Muito mais injusto com os que ficam. Pois saudade é morte lenta, passo-a-passo, emudecida, olhos cerrados, quase sem respirar."

18 de jan. de 2011

família que a gente escolhe...

alegria dos reencontros (foto: cecilia kawall)

elas e ele (foto: cecilia kawall)

plantando árvore e celebrando à vida (foto: fran rebelatto)

amo muito tudo isso (foto: cecilia kawall)

16 de jan. de 2011

bem vindo 3.6!!


dia do aniversário. fim do inferno astral. início de um novo ciclo.
e teve (com a licença poética) muita coisa hoje.
teve sol.
teve água.
e teve sombra, porque ninguém é de ferro.
teve pernas pro ar.
teve sorvete.

teve uma boa leitura.
teve família reunida.
teve filho fazendo surpresa.
teve novos amigos.
teve cumplicidade.
teve beijo roubado.
teve amigos ligando.
teve amigos deixando recado.
teve dinda e afilhada dando parabéns.
teve sorrisos.

teve emoção.
teve por do sol.
teve lua crescente.
teve vento.
teve muito amor.

obrigada, aniversário.